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[REVIEW - 1a PARTE] Nokia N900
Logo de início há uma dificuldade a resolver. Este aparelho é, por enquanto, único no quesito hardware – já que marca a entrada da Nokia em um novo segmento de equipamentos – e único, também, no quesito software. Por isso optei por elaborar este review em duas partes, dando foco a cada um destes elementos separadamente. Uma vez mostrada qual será minha metodologia (nossa, isso aqui já tá parecendo trabalho acadêmico – mas é quase com um cuidado desse nível que estou tratando essa análise), vamos à primeira parte, dedicada ao hardware.
1. Acabamento
Acho que todos concordamos com o fato de que a primeira percepção que temos de um equipamento eletrônico, assim que ele sai da caixa, é o acabamento dele. Quais os materiais que o compõe, a forma pela qual eles se encaixam, a disposição dos elementos. E, em se tratando desse conjunto de fatores, o N900 é simplesmente campeão.
Basicamente ele é constituído de uma imensa tela na parte frontal, a qual, embora não pareça, não está sozinha. Com ela estão os sensores de proximidade e de luz, a câmera de vídeo-chamada e o LED de status. Tudo tão escondido que, desligado, nem se percebem estes elementos, o que dá um charme todo especial ao equipamento.
No contorno da tela há um aro escuro, aparentemente de metal, que passa uma impressão de solidez muito forte à parte frontal. Atrás, a tampa é de plástico fosco, o comum mesmo, o que também é uma ótima notícia. Afinal, vamos combinar: acabamentos em black piano são lindos, mas apenas logo após saídos da caixa ou após um tratamento cuidadoso e demorado com sua inseparável flanelinha. Com esta solução mais simples resolve-se inteiramente este problema, sem que com isso o conjunto seja minimamente prejudicado. A tampa da câmera também é firme, sólida, e já vem com um material azul que evita a imperdoável falha de projeto do N97 que provoca riscos na lente. Nas laterais, o básico. Stylus na lateral inferior (completamente dispensável, como analisarei na parte dedicada à tela, mas de um tamanho absolutamente confortável - praticamente com as dimensões de uma caneta normal - o que facilita demais o seu uso), botões de volume, ON/OFF, dedicado à função de câmera, e infra-vermelho na parte superior. Sim, esse aparelho traz em si o máximo em tecnologia portátil, e também um protocolo de pareamento de mais de dez anos. Motivo para isso? Nem os oráculos da tecnologia sabem ao certo, mas especula-se que seja para permitir a função de controle remoto. Me parece um tanto dispensável, mas como não atrapalha em nada o projeto, é bem vindo. Ah, em tempo, de fábrica o aparelho não traz nenhum software capaz de usar esta função. Nas pontas, saída microUSB para o cabo de dados, de um lado, e plug 3,5mm juntamente com um botão de travamento da tela, do outro. Ambos acompanhados das ótimas saídas do alto-falante estéreo.
Esta foto ao Sol deixa entrever bem todos os elementos da parte frontal do N900, geralmente escondidos quando à sombra e em ambientes fechados.
Sensores localizados ao lado da tela. Da esquerda para a direita: LED indicador, alto-falante do telefone, sensor de proximidade, câmera para vídeo-chamadas, sensor de luz.
Traseira fosca (ieba!!) do aparelho
Parte superior. Como o aparelho funciona na maior parte do tempo com a tela deitada, estou tomando como parâmetro o “Nokia” para definir onde é o superior e o inferior da tela.
Parte inferior, limpa, apenas com a stylus (absolutamente desnecessária) em uma das extremidades.
Lateral 1. Com uma das saídas do alto-falante e o conector para o cabo de sincronismo microUSB.
Lateral 2. Com microfone, saída 3,5mm, botão de travamento da tela, e a outra saída do alto-falante.
Detalhe da tampa traseira do N900, por dentro. Em azul, o material que a Nokia acrescentou para evitar riscos na lente da câmera.
2. Dimensões
O N900 é grande. Bem grande. Isso, claro, se vc analisá-lo tomando por base smartphones de ponta, como o iPhone, o HTC Hero, o Motorola Milestone... Aí ele fica grande, pesado, e grosso, impossível de ser esquecido no bolso da calça, como já foi bastante relatado pela internet. Agora, é preciso que se diga que mesmo os modelos citados acima não podem ser considerados pequenos, e dificilmente alguém os esqueceria a ponto de enviá-los à máquina de lavar. Mas, mesmo para os padrões de um iPhone, o N900 é grande e pesado. Se a ideia for pegar um aparelho leve, pequeno e discreto, esqueça-o. Se vc tem mãos muito pequenas, e fica com câimbras ao segurar mais de 150g por muito tempo, fuja dele como o diabo da cruz. Finalmente, se vc tem receio de que seus amigos ignorantes de todos os avanços tecnológicos que ele contém fiquem fazendo piadinhas do estilo “vou levantar uma parede com vários iguais ao seu”, nem pare para vê-lo na vitrine.
Agora, se vc quer um aparelho extremamente completo e customizável, que apesar de volumoso cabe tranquilamente no bolso da calça (embora vc não vá esquecer que ele está lá), pode considera-lo como uma séria opção. Ou, ainda, se vc já teve ou tem um Maemo N8x0, e adora tudo que ele faz, não se importando com o seu tamanho, este é o aparelho ideal para vc.
Em suma, não importa o que vc espera do N900. Saiba que ele é tão grande que alguns blogs, exageradamente, escreveram que ele nem pode ser chamado de smartphone, mas sim de Internet Tablet com função de telefone. Exagero, sem dúvida, mas com um nítido fundo de verdade.
3. Tela/Touchscreen
Bem, a tela deste N900 é resistiva. Parece até que estou ouvindo os lamentos decepcionados daqueles que ainda não tinham atentado para este detalhe nas especificações presentes na internet. Mas, acalmem-se, amigos. Ela é resistiva, mas posso assegurar-lhes: se não funciona tão bem quanto a do iPhone, com certeza se aproxima muito mesmo disso. Aliás, eu acho que tem uma sensibilidade praticamente igual ao da idolatrada tela da Apple, sinceramente não senti nenhuma diferença com relação a ela (exceto a possibilidade de usar a caneta, caso vc seja um fanático retrô que faça questão disso – o sistema absolutamente não pede este acessório em nenhum momento). Claro que funções multitoque não existem aqui, e que o super-valorizado “efeito pinça”, portanto, é algo que não passa nem perto desse equipamento. Mas, sinceramente, vc nem lembra disso quando o sistema responde de forma quase instantânea ao seu toque (mais rápido até do que o iPhone, mas deixarei para falar mais disso na parte dedicada ao software), ou quando vc desenha com os dedos um círculo no sentido horário para aumentar o zoom de um site, ou no sentido anti-horário para diminuí-lo. O duplo toque para apresentar um local específico também funciona muito rapidamente aqui.
Um efeito muito legal existente nessa touchscreen me fez até pensar mal do aparelho, logo que comecei a usá-lo. Isso porque quando vc clica em um ícone ou em qualquer parte da tela, tem a nítida sensação de que a tela “afunda”, com se estivesse cedendo a algum mecanismo frouxo ou mal resolvido (qualquer um que já tenha usado celulares com slider gasto conhece aquela horrível sensação de ver uma parte se aproximar da outra ao menor toque, como se apenas uma molinha vagabunda as separasse). De fato, a Nokia cometer uma falha tão grosseira em seu equipamento top de linha seria algo inaceitável. Como não havia percebido essa “folga” do slider ao pegar o aparelho pela primeira vez, decidi desligá-lo e analisar mais detidamente o problema. Uma vez o aparelho completamente desligado, eu pressionei a tela, e o efeito simplesmente desapareceu. O slider, tanto fechado quanto aberto, simplesmente se comportava como um celular barra maciço, tal a sua firmeza. Ligado novamente o aparelho, eis que a sensação voltou. Fuçando mais no sistema, descobri que essa nítida sensação é a função “sure press” do aparelho (não sei se é esse o nome, mas foi o único termo que consegui pensar), pensada com o objetivo de dar mesmo a sensação de que se está apertando múltiplos botões espalhados pela tela. Possivelmente, foi algo assim que a RIM quis que acontecesse com seu mecanismo presente no primeiro BlackBerry Storm. O problema é que a empresa canadense fracassou miseravelmente em seu intento. A Nokia atingiu esse objetivo com uma perfeição absoluta. Depois de solucionado o “mistério”, foi possível perceber a maestria com que foi implementada essa função no N900. Os “cliques” de botões também são realísticos e auxiliam nessa função.
Outro elemento da tela que merece um enorme destaque positivo é a sua resolução. Eu, até conhecer esse dispositivo, imaginava que não seria possível alguém construir uma tela com resolução melhor que a do meu antigo HTC Touch HD. Mesmo o iPhone perdia para o modelo da empresa taiwanesa nesse sentido, já que para bons olhos é possível ver alguns pixels em alguns ícones e telas do sistema. No Touch HD esses pixels era muito mais raros de serem vistos. No N900... é simplesmente impossível encontrar qualquer serrilhado ou qualquer pixel em qualquer borda. E olha que eu procurei, e mais quatro amigos e familiares também. Todos foram unânimes em ficar boquiabertos com a resolução do aparelho.
Quanto ao brilho, não achei nada extraordinário. É bem possível usar o aparelho ao Sol, em pleno meio dia, mas realmente nesse quesito ainda acho que a tela do iPhone se comporta bem melhor. Isso considerando, claro, que o brilho do meu N900 está no médio, que já é suficiente para uso em ambientes fechados e externos. Se ele for colocado no máximo, sua visualização fica tão boa quanto do celular da Apple.
Alguém me perguntou se a Nokia implementou nessa tela o tratamento anti-gordura lançado pela Apple no seu iPhone 3Gs. E a resposta é não. A tela realmente fica toda engordurada com o uso diário, de forma que se vc realmente usar o equipamento, precisará limpá-lo ao final do dia, se o quiser impecável no dia seguinte. Como em 99,9% dos aparelhos com touchscreen do mercado.
Tela ligada ao Sol das 10:30 no verão, no brilho máximo. Repare que, tirando os reflexos inevitáveis em uma foto amadora de um fotógrafo inexperiente, a visualização é muito boa (se eu batesse uma foto da tela do iPhone nas mesmas condições provavelmente ficaria igual)
Tela ligada ao Sol das 10:30 no verão, no brilho médio. A visualização não é mais tão nítida, mas dá pra usar tranquilamente.
4. Som/Alto-falante
A qualidade do alto-falante desse equipamento é outro ponto que merece imenso destaque. Claro que ninguém vai conseguir organizar uma rave no quintal de casa só com ele, mas dá pra divertir demais em uma roda de amigos ou em ligações no viva-voz. Som muito nítido e com pouco chiado. É simplesmente o melhor externo que já vi em celulares e smartphones. Azar de quem tiver algum adolescente por perto com um aparelho desses. Aliás, alguém aí já notou como essas adoráveis criaturas simplesmente decidiram que todo mundo deve ouvir as músicas que eles gostam, depois que começaram a colocar fones externos nos celulares? Argh...
No fone de ouvido o som também é muito bom. Mesmo os mais exigentes não perceberão grandes diferenças entre o N900 e o som de qualquer iPod ou MP3 player dedicado. Eu, pelo menos, não percebi nenhuma, mas até aí não sou tão exigente quanto os profissionais. Aliás, os fones intra-auriculares que acompanham o aparelho também são muito bons, e tem um som bastante convincente. A mim satisfez plenamente. Agora, pra quem já usou aqueles fones ultra-super-mega-hyper que chegam a custar mais de uma centena de reais, já não sei o que achariam (afinal nunca usei um destes...)
O som do alto-falante para ligações também é alto e claro. Padrão Nokia, ou seja, dos melhores que há. Mas aqui nada demais, não é mesmo? Até mesmo celulares mid-level já estão vindo com ótimos alto-falantes para ligações.
5. Recepção de sinal - telefone
Embora esteja mais para um computador de bolso, daqueles bem parrudos mesmo, não se pode esquecer que o N900 também possui função telefone, e portanto recepção de sinal é primordial. E, aqui, novamente, depara-se com o conhecido padrão Nokia. Ou seja, sinal presente em locais nos quais a imensa maioria dos outros celulares ficam mudos. E disso entendo bem, já que moro em um local no qual celulares simplesmente não funcionam. Pois bem, a única operadora que sempre pegou minimamente aqui é a Vivo, com um “palito” de sinal, na varanda, no Sony Ericsson w200i da minha esposa (também com ótima recepção). Pois bem, nestas condições, consigo falar no N900 dentro de casa, – ainda que apenas perto da janela – com dois “palitos” de sinal em alguns momentos. Na varanda, então, 3 “palitos” cheios, e ligações sem qualquer interrupção ou interferência. Resultado muito melhor que o alcançado, por exemplo, com o excelente Nokia E71, o qual também já tive. Precisa dizer mais?? Em tempo, os iPhones 2G/3G nunca funcionaram por aqui, nem na varanda... E o HTC Touch HD “apanhava” muito para pegar, de vez em quando, 1 “palito” de sinal na varanda e em local estratégico.
Em locais onde celulares funcionam, nada a acrescentar. Completa chamadas rapidamente (quando a operadora permite, claro), e tem um ótimo isolamento acústico, que impede que o interlocutor ouça a muvuca do seu lado. Apenas sua voz, em alto e bom som, é percebida do outro lado. Resumindo com o termo que usei acima: padrão Nokia.
6. Recepção de sinal – WiFi e Bluetooth
O mesmo que foi dito em relação à recepção de sinal celular vale aqui. É possível pegar sinal da rede sem fio a vários metros de distância, mesmo com paredes no meio do caminho (dependendo do roteador, claro), e parear com dispositivos Bluetooth localizados em salas adjacentes com muita tranquilidade (desde que, preferencialmente, estejam na visada do N900, como em todos os dispositivos BT). Na verdade a recepção desse aparelho é tão boa que é preciso certo cuidado ao utilizá-la. Isso porque ontem á tarde, enquanto eu pareava o aparelho com meu fone BT localizado em outro cômodo, para testar, meu vizinho – que é meu amigo – me ligou para perguntar se eu tinha comprado um celular novo!! É preciso dizer que moro em um sítio, e a janela do escritório onde eu estava com o N900 tem uma visada em linha reta com a janela da sala dele. Eu acredito que ele provavelmente não conseguiria parear com meu Nokia pela distância. Mas o simples fato de tê-lo visualizado em seu PC já demonstra o poder deste “brinquedinho”.
7. Recepção de sinal – GPS
O aparelho demora um pouco para fixar os satélites. Na verdade chegou a me incomodar, já que eu estava acostumado com o ótimo desempenho do Touch HD, que achava o sinal quase instantaneamente – desde que o arquivo de posicionamento estivesse atualizado. Mas o desempenho, ainda assim, foi muito superior ao do N97, por exemplo (já que este levou o dobro do tempo para ficar operante). Uma vez fixado o satélite, não há do que reclamar. Mesmo que vc passe por um dos numerosos túneis de São Paulo, por exemplo, o sinal se mantém graças ao A-GPS, que calcula sua posição pela triangulação de antenas. Muito provavelmente vc sairá à luz do dia antes que o cálculo termine, mas não deixa de ser uma segurança a mais para os perdidos de plantão. O software de mapas, entretanto, deixa a desejar. O Ovi Maps é realmente melhor que o Nokia Maps, mas nada que se compare a um iGo 8 ou a um Garmin, por exemplo. Mas isso deve ser resolvido com a popularização da plataforma e o aparecimento de programas dedicados curva-a-curva para o Maemo 5.
8. Bateria
Aqui o grande, o maior, o descomunal ponto negativo do aparelho. A bateria BL-5J (a mesma do 5800 XpressMusic) simplesmente não aguenta o tranco de um processador que trabalha na casa dos 600 Mhz, de uma tela de 3,5” com ótimo brilho e resolução, e o péssimo sinal 3G de nossas operadoras. Resultado? No primeiro dia com o aparelho, uso intenso (WiFi, 3G, chamadas, música, etc), a bateria começou a trabalhar às 8:30 com 100% de carga, e desligou o celular exatamente às 17:29. Um desempenho pífio, realmente horrível. Ok que eu realmente não desgrudei do celular nesse dia. Mas ontem, com uso normal (algumas consultas à internet, rede em 3G e busca de sinal fraco aqui em casa com ocasionais conexões à rede sem fio), a bateria já está, nesse momento (cerca de 18:00 quando escrevi essa passagem), no nível imediatamente acima da metade da carga. Pra quem depende do smartphone o dia inteiro, realmente é muito, muito pouco. Claro que existe o procedimento padrão nestes casos (desligar WiFi, Bluetooth, sinal 3G, brilho da tela no mínimo, etc), mas convenhamos que o proprietário de um “avião” como o N900, que gastou bem mais de mil reais na sua aquisição e que trabalha pesadamente com ele, provavelmente não vai ficar feliz em ter que ficar controlando o uso de funções pelas quais pagou muito dinheiro. Ou seja, não tem jeito, mancada da Nokia, afinal não adianta nada comprar uma Ferrari que chega a 350 km/h se só posso utilizá-la com limitador de velocidade a 80.
Agora, já ficaram bastante bravos com a duração ridícula da bateria do N900??? Mas bem nervosos mesmo??? Pois bem, aí vai a notícia que os acalmará. No MercadoLivre é possível encontrar esse modelo de bateria, pretensamente original, por algo em torno de 50 reais. Em lojas autorizadas ainda não procurei. Boa notícia, não? Afinal, já que vamos ter que comprar outra pra carregar junto com o aparelho, que pelo menos não custe um rim e dois pulmões, não é??
A bateria do N900, instalada no seu compartimento.
9. Mecanismo de slide
Na internet é possível encontrar vários reviews do N900, e muitos deles reclamam do mecanismo de deslizamento da tela dele, supostamente dura demais e muito menos prática que a do N97. Pois bem, minha percepção foi diferente. De fato o mecanismo é firme, mas é plenamente possível deslizar a tela com um só dedo, como em qualquer slider que se preze. Pela própria firmeza que elimina qualquer sensação de frouxidão no aparelho, e qualquer receio de que esta virá a aparecer com o tempo, uma certa força é necessária (realmente maior do que a necessária para deslizar a tela do N97 ou do HTC TyTN II, por exemplo). Mas isso me pareceu um ponto positivo. Realmente é muito legal perceber que esse mecanismo potencialmente problemático está tão bem encaixado que dificilmente apresentará defeitos com o uso prolongado.
Parte traseira do N900 com o slide aberto.
10. Teclado
O teclado do N900 é bastante confortável. As teclas tem um bom tamanho e um ponto de pressão bastante nítido, com um espaçamento razoável o bastante para evitar o acionamento de duas teclas, mesmo para mãos muito grandes. Não requer adaptações ou maiores malabarismos para o uso. O único senão fica por conta da acentuação, mas isso deve ser resolvido com o lançamento da versão brasileira (se houver) do aparelho. Como o padrão deste teclado é anglo-saxônico, para teclar letras com acento é preciso apertar Fn+Sym para abrir uma tela com símbolos dos mais diversos matizes. Então se escolhe o acento a ser acrescentado, e só então deve ser teclada a letra no qual ele será utilizado. Muito burocrático, muito demorado e difícil. Acaba ficando mais em conta teclar pequenos textos sem acentos, mesmo. Pelo menos até que um novo FW resolva esse problema.
Parte frontal do N900 com o slide aberto e o belo teclado à mostra.
11. Câmera
Muito boa. A qualidade das fotos é excelente, o balanço de cores é bastante satisfatório, e o resultado agrada mesmo em condições de pouca luz. Me lembrou bastante o desempenho da câmera do meu antigo Nokia N82, referência em qualidade de fotos, exceto pelo flash (xenon no N82 e dual LED no N900). Dá pra tirar fotos e imprimi-las tranquilamente. Em comparação com o HTC Touch HD, por exemplo, com os mesmos 5MP de resolução, a qualidade do Nokia é muito superior. A função de localização por GPS também funciona muito bem, obrigado. Quanto aos vídeos, a qualidade também impressiona, mas menos do que no caso das fotos. O N82 se virava bem melhor nesse quesito. Mas isso não evita que os filmes feitos com o N900 mereçam uma bela projeção em qualquer televisão. As opções de ajuste são as básicas, com nada muito elaborado. Em suma, o N900 se vira bem com sua câmera. Mas definitivamente não deve ser escolhido exclusivamente com base nessa função. Se a ideia é apenas ter um celular para ótimas fotos, existem modelos com desempenho melhor no mercado.
Foto tirada com a câmera no N900, na resolução máxima (5mp) e configurações automáticas
12. Resumo
O N900 é, sem sombra de dúvidas, um dos mais completos e avançados smartphones do momento (se não for o mais completo e avançado). Sem entrar no mérito de seu sistema incrivelmente poderoso e completamente customizável, ele possui um hardware de dar inveja a qualquer um, ainda que em números brutos possa parecer menos poderoso do que o de um Touch HD2, por exemplo. Mas é preciso não se enganar. O que ele oferece em matéria de chips combina extremamente bem com seu levíssimo sistema operacional, a ponto de possuir um desempenho muito superior ao do seu concorrente da HTC. Isso sem contar com seus 32GB de memória interna que, ao contrário do iPhone, pode ser expandido através de cartões microSD, chegando a incríveis 48GB!! Isso é mais do que a capacidade do HD de um Sony Vaio UX, por exemplo (no máximo 40GB). Desse total, 2GB são disponibilizados para instalação de programas. Pouco? O jogo Bounce Evolution, com ótimos gráficos e uma jogabilidade impecável (graças à precisão do acelerômetro do aparelho), possui apenas 15,1MB. E quem usa Linux no desktop sabe que aplicativos para essa plataforma costumam ocupar menos espaço que seus congêneres para Windows.
Isso tudo faz com que o N900 seja uma ótima opção para quem deseja poder de fogo em seu gadget. Se essa é sua necessidade ou seu desejo, saiba que ele é nitroglicerina pura!! Mexer nele, nem que seja por alguns minutos, deve ser a obrigação número um de qualquer amante da tecnologia que tenha o imenso prazer de deparar pessoalmente com um destes. Agora, é fora de dúvida que essa belezinha merecia uma bateria bem melhor. E, quem sabe, mais possibilidades de edição de fotos. Mas isso é assunto para a próxima parte deste review.
Abraço,
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ATUAL: Sony Vaio VGN-CS320J/Q - Sony Vaio VGN-P730A - Sony PlayStation 3 80GB - Sony PSP-3001 - Amazon Kindle Global Wireless - Sony CyberShot DSC-W100 - Apple iPod Touch 64GB - Nokia N900
... and the hope always survives!!
