Sáb Jun 30, 2012 9:27 am por vitorgregorio
Perfeito gurx, pra mim esse é o ponto, também. E é o que me incomoda. O Flash está sendo gradualmente abandonado, com uma velocidade eu diria que até bastante razoável. Em questão de mais alguns anos, esse processo iniciado à força pelo SJ em 2007 estará concluído. O problema é os caras quererem sempre apressar o negócio, tentando fazer com que amanhã o mundo todo acorde e, veja que maravilha, de repente ninguém mais usa Flash, todo o conteúdo disponível na internet já terá migrado para o HTML5, e todos poderemos seguir nossas vidas em uma internet melhor e mais moderna. Pombas, não é assim.
Apenas para dar uma imagem do tamanho da encrenca. Na minha área de atuação (História) nunca tivemos tantos arquivos e bibliotecas digitalizando e disponibilizando gratuitamente, na internet, todo o seu acervo, ou pelo menos parcela substancial dele. Hoje, graças a esse processo, que conta com investimento pesado, tanto público quanto privado, hoje eu consigo fazer uma pesquisa bastante razoável em termos de resultados sem sair de casa, apenas com um bom computador e uma boa internet. Em 2003, quando realizei minha primeira pesquisa científica, precisei viajar a nada menos do que quinze cidades, tão distantes quanto possam ser Buenos Aires e Manaus. Se eu fosse realizar a mesma pesquisa hoje eu precisaria apenas de uma temporada curta no Rio de Janeiro, porque todos os demais arquivos já digitalizaram e disponibilizaram na internet seus acervos. Um avanço sem tamanho, destinado a defender, também, os documentos originais do manuseio que, por mais cuidadoso, sempre corre o sério risco de danificá-los. Trata-se de um processo iniciado mais ou menos em 2004, quando a Biblioteca Nacional digitalizou seus primeiros documentos.
Pois bem, qual plataforma vcs acham que foi utilizada para disponibilização de todo esse material? Documentos, jornais, livros raros, fotos, mapas... Pois é, o Flash que a indústria insiste em querer matar de qualquer jeito e o mais rapidamente possível desde 2007. E vcs realmente acham que as instituições que disponibilizaram todo esse materiam em Flash, que já pagaram muito para os programadores do sistema colocarem ele na internet, vão se preocupar em migrar essas bilhões de páginas para o HTML5? Não, não vão. Pelo menos não em um futuro próximo. E sei que questões assim existem nas áreas de saúde, jurídica, engenharia, entre outras. Eu diria que 97% do material disponível para consulta na internet hoje, em termos de documentos e livros raros, no Brasil e também no exterior, está em Flash. Entenderam porque eu acho ridículo os caras quererem forçar a aceleração desse processo como está sendo feito? Daqui a pouco os fdp decidem atender ao desejo do ric2801, e o suporte ao Flash para desktops e notebooks também é interrompido. E aí? Vou ter que manter meu computador desatualizado e sujeito aos muitos bugs e vulnerabilidades da plataforma para poder seguir trabalhando? Complicado, né?
Esse é o meu ponto de vista, e por isso que eu me incomodo tanto com a maneira pela qual o processo está sendo conduzido. Querem forçar um abandono para o qual muitos usuários simplesmente não estão preparados. O resultado disso só pode ser a fragmentação da web. E eu realmente não vejo como isso possa ser proveitoso. A menos que algum especialista na área me diga que é fácil e barato migrar essa montanha colossal de conhecimento do Flash para outra plataforma, e que todas as intituições públicas e privadas têm condições de fazer essa migração rapidamente, eu continuarei sendo contra essa obrigação que se impõe de abandonar algo que ainda me é eminentemente útil e necessário. Melhorar o HTML5 e massificar cada vez mais seu uso sim. Mas obrigar as pessoas a abandonar o que já existe, eu não aprovarei jamais.
E tomara que em 2017, dez anos depois da profecia mais furada que eu já vi SJ fazer (afinal profetizar algo e forçar que isso se concretize é fácil. "Eu profetizo que esta mensagem será concluída com a tradicional saudação 'Abraços' por parte de seu autor!") este papo já tenha ficado obsoleto, e meus problemas já tenham sido plenamente resolvidos, comigo conseguindo acessar todo o conteúdo do qual necessito também em meus tablets e smartphones, como já era possível quando eu tinha meu saudoso HTC TyTN II, com o jurássico sistema WindowsMobile 6.5.
Abraço,
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