FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

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Mensagem não lida Qua Fev 24, 2016 3:18 pm

FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

Vou colocar aqui o que considero os pontos principais dessa "novela". Fiquem a vontade para complementar!

JUSTIÇA DOS EUA QUER QUE APPLE AJUDE O FBI A HACKEAR IPHONE DE TERRORISTA; TIM COOK RESPONDE COM CARTA ABERTA [ATUALIZADO 3X]
Eduardo Marques 17/02/2016 às 11:22

No fim de 2015, Tashfeen Malik (de 27 anos) e Syed Farook (de 28 anos) mataram 14 pessoas e deixaram outras 22 feridas ao invadir o Inland Regional Center (uma instituição de apoio a deficientes na cidade de San Bernardino, na Califórnia) com dois rifles e duas pistolas. Logo depois, o FBI (Federal Bureau of Investigation) anunciou que passou a investigar o ataque como ato terrorista já que a mulher suspeita de cometer o crime com o marido jurou lealdade ao Estado Islâmico (EI) no Facebook. Pois agora essa história respingou na Apple.

Nesta semana, conforme informou a NBC News, um juiz federal ordenou que a Apple desse aos investigadores acesso aos dados criptografados no iPhone 5c usado por um dos atiradores, algo que até então a empresa havia se negado a fornecer voluntariamente. Já o The Washington Post fala que, na verdade, o Departamento de Justiça quer “apenas” que a Apple desative o recurso que apaga os dados do aparelho após dez tentativas de digitação de código incorretas — assim eles poderão utilizar “força bruta” (dezenas de milhões de combinações) para tentar ganhar acesso ao iPhone.

Depois do tiroteio em San Bernardino, autoridades disseram que recuperaram vários telefones celulares de Farook e Malik — alguns danificados pois eles tentaram destruir os aparelhos justamente para que não caíssem nas mãos das autoridades. O iPhone 5c em questão — propriedade do empregador de Farook, o Departamento de Saúde Pública do Condado San Bernardino, que atribuiu o aparelho a ele — foi encontrado em um carro pertencente à família de Farook. Apesar de terem na mão um mandado, as autoridades simplesmente não conseguem ter acesso ao conteúdo do iPhone.

O documento diz ainda que a Apple precisa oferecer “assistência técnica razoável” para recuperar os dados do atirador e que tem cinco dias para responder se essa ajuda seria “excessivamente onerosa”.

A discussão não é nova. Por muitas vezes Tim Cook (CEO da Apple) declarou que não compactua com a ideia de colocar uma backdoor nos sistemas da Apple para que governos e/ou agências de inteligência tenham acesso aos dados de usuários pois, uma vez que a brecha esteja lá, ela poderia ser utilizada tanto para o “bem” quanto para o “mal”.

Mantendo o seu posicionamento de ser bastante transparente quando o assunto é privacidade de usuários, Cook publicou uma carta aberta no site da Apple. Eis a nossa tradução livre:

Uma Mensagem aos Nossos Consumidores
O governo dos Estados Unidos solicitou que a Apple tome uma atitude inédita a qual ameaça a segurança dos nossos consumidores. Nós nos opomos a esse pedido, que tem implicações bem além do caso legal em questão.

Este momento clama por uma discussão pública, e queremos que nossos consumidores e pessoas de todo o país saibam o que está em jogo.

A Necessidade de Criptografia

Smartphones, liderados pelo iPhone, se tornaram parte essencial das nossas vidas. Pessoas usam eles para armazenar uma quantidade incrível de informações pessoais, de conversas privadas a nossas fotos, nossas músicas, nossas anotações, nossos calendários e contatos, nossas informações financeiras e dados de saúde, até mesmo onde estivemos e aonde iremos.

Toda essa informação precisa ser protegida de hackers e criminosos que querem acessá-la, roubá-la e usá-la sem o nosso conhecimento ou permissão. Consumidores esperam que a Apple e outras companhias de tecnologia façam de tudo ao nosso alcance para proteger suas informações pessoais, e na Apple nós somos profundamente comprometidos a proteger os seus dados.

Comprometer a segurança da nossa informação pessoal pode acabar colocando a nossa segurança pessoal em risco. É por isso que criptografia se tornou tão importante para todos nós.

Por muitos anos, nós utilizamos criptografia para proteger os dados pessoais dos nossos consumidores pois acreditamos que é a única forma de manter suas informações seguras. Nós até mesmo colocamos esses dados fora do nosso alcance, visto que acreditamos que os conteúdos do seu iPhone não dizem respeito a nós.

O Caso de San Bernardino

Ficamos chocados e injuriados com o ato fatal de terrorismo em San Bernardino, em dezembro passado. Nós lamentamos a perda de vidas e queremos justiça a todos cujas vidas foram afetadas. O FBI solicitou a nossa ajuda nos dias subsequentes ao ataque, e trabalhamos duro para atender aos esforços do governo a fim de resolver esse crime terrível. Não temos simpatia nenhuma por terroristas.

Quando o FBI solicitou dados que estão sob a nossa posse, nós os provemos. A Apple consente a intimações válidas e mandados de busca, e fizemos isso no caso de San Bernardino. Nós também disponibilizamos engenheiros da Apple a aconselhar o FBI e lhes oferecemos as nossas melhores ideias em várias opções investigativas ao dispor deles.

Nós temos grande respeito aos profissionais do FBI e acreditamos que as intenções deles são boas. Até hoje, fizemos tudo que está tanto ao nosso alcance quanto dentro da lei para ajudá-los. Mas agora o governo dos EUA nos pediu algo que nós simplesmente não temos, e algo que nós consideramos muito perigoso criar. Eles nos pediram para construir uma porta dos fundos [backdoor] para o iPhone.

Especificamente, o FBI quer que nós criemos uma nova versão do sistema operacional do iPhone, pulando vários importantes recursos de segurança, e o instale num iPhone encontrado durante a investigação. Nas mãos erradas, esse software — que não existe hoje — teria o potencial de desbloquear qualquer iPhone sob posse física de alguém.

O FBI pode até usar palavras diferentes para descrever essa ferramenta, mas não se engane: criar uma versão do iOS que ignora segurança dessa forma irá inegavelmente criar uma porta dos fundos. E embora o governo argumente que o seu uso seria restrito a esse caso, não há forma de garantimos tal controle.

A Ameaça a Segurança de Dados

Alguns dirão que construir uma porta dos fundos para apenas um iPhone é algo simples, uma solução direta. Mas isso ignora tanto os princípios básicos de segurança digital quanto a significância do que o governo está pedindo nesse caso.

No mundo digital de hoje, a “chave” para um sistema criptografado é uma peça de informação que desbloqueia os dados, e ela só é tão segura quanto as proteções à sua volta. Uma vez que a informação é conhecida, ou uma forma de ignorar o código é revelada, a criptografia pode ser quebrada por qualquer um com esse conhecimento.

O governo sugere que essa ferramenta só possa ser usada uma única vez, em um telefone. Mas isso simplesmente não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada inúmeras vezes, e em qualquer dispositivo. No mundo físico, seria o equivalente a uma chave-mestra, capaz de abrir centenas de milhões de travas — de restaurantes a bancos a lojas a residências. Nenhuma pessoa razoável acharia isso algo aceitável.

O governo está pedindo que a Apple invada os nossos próprios usuários e arruine décadas de avanços em segurança que protegem os nossos consumidores — incluindo dezenas de milhões de cidadãos americanos — de hackers e cybercriminosos sofisticados. Os mesmos engenheiros que construíram uma forte criptografia no iPhone para proteger os nossos usuários iriam, ironicamente, ser obrigados a enfraquecer essas proteções e tornar os nossos usuários menos seguros.

Não conseguimos achar nenhum precedente de uma empresa americana sendo forçada a expôr seus clientes a um risco maior de ataques. Por anos, especialistas em criptografia e em segurança nacional têm emitido alertas contra o enfraquecimento de criptografia. Fazer isso só prejudicaria os cidadãos de bem e dentro da lei que dependem de empresas como a Apple para proteger os seus dados. Criminosos e malfeitores ainda irão usar criptografia, usando ferramentas ao dispôr deles.

Um Precedente Perigoso

Em vez de solicitar uma ação legislativa através do Congresso, o FBI está propondo um uso sem precedente do All Writs Act de 1789 para justificar a expansão da sua autoridade.

O governo nos obrigaria a remover recursos de segurança e adicionar novas capacidades ao sistema operacional, permitindo que uma senha seja digitada eletronicamente. Isso facilitaria desbloquear um iPhone por “força bruta”, experimentando milhares ou milhões de combinações com a velocidade de um computador moderno.

As implicações das demandas do governo são deprimentes. Se o governo pode usar o All Writs Act para facilitar desbloquear o seu iPhone, ele teria o poder de adentrar qualquer dispositivo a fim de capturar os seus dados. O governo poderia estender essa brecha de privacidade e demandar que a Apple construa softwares de vigilância para interceptar suas mensagens, acessar seus registros de saúde e dados financeiros, acompanhar a sua localização, ou até mesmo acessar o microfone ou a câmera do seu telefone sem o seu conhecimento.

Contrariar esse pedido não é algo que estamos fazendo levemente. Sentimos que precisamos fazer frente ao que enxergamos ser algo além da conta pelo governo dos EUA.

Estamos desafiando as demandas do FBI com o maior dos respeitos pela democracia americana e um amor pelo nosso país. Nós acreditamos que seria o melhor para todos dar um passo atrás e considerar as implicações.

Embora acreditemos que as intenções do FBI sejam boas, seria errado para o governo nos forçar a construir uma porta dos fundos em nossos produtos. E no fim das contas, nós tememos que essa demanda poderia arruinar justamente a independência e a liberdade que o nosso governo busca proteger.

Tim Cook


Sem dúvida é um assunto altamente delicado, em que muito provavelmente não existe certo ou errado. Existem, sim, ideais. Cook acredita que o correto é defender a privacidade de usuários — algo que poucas empresas fazem como a Apple, o que não deixa de ser uma vantagem competitiva para ela se você se importa com isso — com unhas e dentes e tem feito isso de uma maneira louvável.

Essa história toda, porém, está longe de terminar…

ATUALIZAÇÃO · 17/02/2016 ÀS 21:51

Jan Klum, cofundador do WhatsApp, publicou a seguinte mensagem no Facebook em apoio a Tim Cook:

http://www.apple.com/customer-letter/ – I have always admired Tim Cook for his stance on privacy and Apple's efforts to…

Publicado por Jan Koum em Quarta, 17 de fevereiro de 2016

"Eu admiro Tim Cook pela sua posição sobre privacidade, a Apple pelos esforços para proteger os dados de usuários e não podia estar mais de acordo com tudo o que ele disse na sua carta para clientes hoje. Não devemos permitir que este precedente perigoso seja definido. Hoje a nossa independência e liberdade estão em jogo."


Edward Snowden também manifestou apoio à Apple:

The @FBI is creating a world where citizens rely on #Apple to defend their rights, rather than the other way around. https://t.co/vdjB6CuB7k

— Edward Snowden (@Snowden) February 17, 2016

"O @FBI está criando um mundo onde os cidadãos dependem da #Apple para defender os seus direitos e não o contrário."


E ainda sobrou para o Google…

This is the most important tech case in a decade. Silence means @google picked a side, but it's not the public's. https://t.co/mi5irJcr25

— Edward Snowden (@Snowden) February 17, 2016

"Este é o caso de tecnologia mais importante em uma década. O silêncio significa que o @google escolheu um lado, mas não é o do povo."


ATUALIZAÇÃO II · 17/02/2016 ÀS 22:37

Demorou, mas chegou a vez do Google de se posicionar — através do seu CEO, Sundar Pichai:

1/5 Important post by @tim_cook. Forcing companies to enable hacking could compromise users’ privacy

— sundarpichai (@sundarpichai) February 17, 2016

"1/5 Post importante de @tim_cook. Forçar as empresas a permitir hackeamento poderia comprometer a privacidade dos usuários."


2/5 We know that law enforcement and intelligence agencies face significant challenges in protecting the public against crime and terrorism

— sundarpichai (@sundarpichai) February 17, 2016

"2/5 Sabemos que as agências de inteligência e órgãos de segurança enfrentam desafios significativos em proteger o público contra o crime e o terrorismo."


3/5 We build secure products to keep your information safe and we give law enforcement access to data based on valid legal orders

— sundarpichai (@sundarpichai) February 17, 2016

"3/5 Nós criamos produtos seguros para manter suas informações seguras e damos acesso aos dados a órgãos de segurança com base nas ordens jurídicas válidas."


4/5 But that’s wholly different than requiring companies to enable hacking of customer devices & data. Could be a troubling precedent

— sundarpichai (@sundarpichai) February 17, 2016

"4/5 Mas isso é totalmente diferente do exigir que empresas permitam hackeamento de dispositivos e dados de clientes. Pode ser um precedente preocupante."


5/5 Looking forward to a thoughtful and open discussion on this important issue

— sundarpichai (@sundarpichai) February 17, 2016

"5/5 Estamos ansiosos para uma discussão aberta e pensativa sobre este importante assunto."


ATUALIZAÇÃO III · 18/02/2016 ÀS 23:44

Eis a declaração oficial do Facebook:

Nós condenamos o terrorismo e temos total solidariedade com as vítimas do terror. Aqueles que buscam enaltecer, promover ou planejar atos terroristas não têm lugar nos nossos serviços. Nós também apreciamos o trabalho difícil e essencial de órgãos de segurança pública para manter as pessoas seguras. Quando recebemos solicitações legais dessas autoridades, nós cumprimos. No entanto, vamos continuar lutando de forma agressiva contra requisitos para que empresas enfraqueçam a segurança de seus sistemas. Essas demandas criariam um precedente arrepiante e obstruiriam os esforços das empresas em proteger seus produtos.


E a de Jack Dorsey, um dos criadores do Twitter:

We stand with @tim_cook and Apple (and thank him for his leadership)! https://t.co/XrnGC9seZ4

— Jack (@jack) February 18, 2016

"Estamos ao lado de @tim_cook e da Apple (e o agradecemos por sua liderança)!"


Em uma nota relacionada, a Bloomberg disse agora que a Apple terá mais tempo para decidir se irá ou não cooperar com o FBI — na carta de Tim Cook, ele afirma que a Maçã teria cinco dias para responder, mas agora o prazo teria pulado para 26 de fevereiro.


Fonte: MacMagazine
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Mensagem não lida Qua Fev 24, 2016 3:20 pm

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

APPLE VS. FBI: DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS EUA QUER OBRIGÁ-LA A CUMPRIR PEDIDO DE JUIZ
Eduardo Marques 19/02/2016 às 17:44 38

Quando Tim Cook escreveu uma carta aberta afirmando que não concordava com o pedido do governo para que a Apple ajude o FBI a hackear o iPhone de um terrorista, falamos que essa história toda estava longe de terminar. Dito e feito.

Hoje, conforme informou a CNBC, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (U.S. Department of Justice) entrou com um recurso para que a Apple seja obrigada a obedecer a ordem do juiz, ajudando o FBI na investigação.

A ideia é que a Apple crie uma ferramenta para desativar alguns recursos de segurança do iPhone em questão que está na posse do FBI, abrindo caminho para uma investigação mais minuciosa. O CEO da Apple, apesar de entender os motivos do pedido e de não compactuar com os atos do casal Tashfeen Malik e Syed Farook — terroristas que mataram 14 pessoas e deixaram outras 22 feridas ao invadir o Inland Regional Center (uma instituição de apoio a deficientes na cidade de San Bernardino, na Califórnia) com dois rifles e duas pistolas —, disse que se a sua empresa for obrigada a criar essa ferramenta estará abrindo um precedente enorme, deixando usuários de iPhones desprotegidos já que a tal ferramenta poderia cair em mãos erradas.

A Apple deveria responder se aceita ou não ajudar o FBI até o dia 23/2 (terça-feira), porém o tribunal deu mais três dias e a Maçã tem agora até 26/2 (sexta-feira) para se posicionar. Esta nova investida do DoJ significa que, se a Apple optar mesmo por manter a sua posição e não ajudar a criar uma backdoor em seu sistema operacional móvel, terá que enfrentar mais desafios.

Complicado. Veremos o que acontece nos próximos dias…


Fonte: MacMagazine
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Mensagem não lida Qua Fev 24, 2016 3:25 pm

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

O tal do precedente: lista mostra que FBI quer que a Apple desbloqueie mais de 10 iPhones
Eduardo Marques 24/02/2016 às 13:10

Apple e FBI estão travando uma batalha daquelas. Se você não sabe do que estamos falando, vale a pena ler os seguintes artigos:

- Justiça dos EUA quer que Apple ajude o FBI a hackear iPhone de terrorista; Tim Cook responde com carta aberta
- Apple vs. FBI: Departamento de Justiça dos EUA quer obrigá-la a cumprir pedido de juiz
- Governo americano pisou na bola no caso envolvendo acesso aos dados do iPhone de terrorista
- Imbróglio envolvendo Apple e FBI continua; empresa publica página com respostas sobre o tema
- Apple vs. FBI: 51% dos americanos apoiam o governo, incluindo Bill Gates

(Hoje também vai ao ar um novo podcast no qual falamos muito sobre o assunto.)

No último post sobre o assunto, informamos que o Departamento de Justiça dos EUA está buscando ordens judiciais para forçar a Apple a ajudar investigadores a extrair informações de outros iPhones em casos que não foram divulgados pela mídia — o que dá ainda mais peso às declarações de Tim Cook (ao falar que se criar uma backdoor para o iOS ela será usada não apenas neste caso de San Bernardino, mas em muitos outros).

Outros casos


Pois um juiz federal pediu a Apple para fornecer uma lista com esses outros casos envolvendo dispositivos protegidos por senha, que foi divulgada publicamente [PDF] ontem (terça-feira, 23/2).

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A grande diferença entre estes casos e o de San Bernardino é que eles foram solicitados em sigilo, ou seja, sem a cobertura da mídia — e não têm ligação com terrorismo.

Isso comprova de uma vez por todas que não estamos falando de um caso, de um iPhone, como o FBI vem argumentando em sua defesa.

Estratégia de defesa da Apple

Segundo a Bloomberg, a Apple utilizará uma estratégia interessante para se defender no caso. A empresa pretende argumentar no tribunal que códigos devem ser protegidos como discursos, e que uma corporação/pessoa não pode ser forçada a codificar/falar algo que viola a sua filosofia, sua crença.

Com base na First Amendment (Primeira Emenda), a ideia da Apple é que, assim como o governo não pode fazer um jornalista escrever uma história em seu nome, não pode forçar a empresa a criar um sistema operacional com segurança mais fraca a fim de ganhar acesso a aparelhos. Para isso, a Maçã contratou dois advogados reconhecidamente bons nesta área para defendê-la: Theodore Olson e Theodore Boutrous.

Ou seja, enquanto o governo construiu todo o caso em cima do All Writs Act (emitir todos os mandados necessários ou convenientes para ajudar suas respectivas jurisdições e agregados para costumes e princípios da lei), a Apple se defenderá utilizando a First Amendment (que basicamente impede o Congresso e tribunais de estabelecer uma religião oficial ou dar preferência a uma dada religião, de proibir o livre exercício da religião, de limitar a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, o direito de livre associação pacífica e o direito de fazer petições ao governo com o intuito de reparar agravos).

Além disso, segundo informou a Associated Press, a Apple quer tirar o caso do tribunal e levá-lo ao Congresso americano pois, lá, ela tem mais poder de influência (o famoso lobbying). Para completar, ela sabe que no Congresso o governo terá mais dificuldade para conseguir o que quer pois já tentou conversar sobre a legalidade da criptografia — sem sucesso.

Contudo, há riscos envolvidos. O Congresso poderia, por exemplo, criar uma lei para forçar que fabricantes criem backdoors em seus sistemas para facilitar esse tipo de investigação — afinal, quando a discussão sobre criptografia aconteceu, não estava em pauta um ataque terrorista em solo americano. Ainda assim, a menos na minha visão, isso seria “benéfico” para a Apple pois não atingiria somente ela — *todas* as fabricantes estariam envolvidas e, aí, a seriedade/amplitude da discussão seria completamente diferente.

Somado ao risco, temos também o timing como um problema. Qualquer tipo de discussão no Congresso não é resolvido da noite para o dia, que dirá algo que envolve um tema tão polêmico como esse.

Protestos

Fãs da Apple e defensores da privacidade foram às ruas protestar contra as exigências do FBI.

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Os protestos aconteceram em mais de 50 cidades americanas com o objetivo de conscientizar o povo sobre a dura batalha que a Maçã está enfrentando.


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Mensagem não lida Qua Fev 24, 2016 4:04 pm

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

Não concordo e nem discordo. Aliás, muito pelo contrário.
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costacafj

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Mensagem não lida Qua Fev 24, 2016 5:50 pm

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

Realmente é uma situação complicada... por um lado, eu entendo as famílias de quem morreu no atentado, que querem justiça. Por outro lado, forçar uma empresa de TI fazer isso, como os textos mesmos mostram, gera uma insegurança absurda!

O último texto é o melhor, porque já mostra que a justiça quer muito mais do que um aparelho de um terrorista. Então começa a mostrar até que ponto isso pode chegar.

Vou ser muito sincero: caso isso realmente aconteça (Apple ser obrigada a abrir as pernas para o FBI), caso gere o precedente que vai gerar e outras empresas forem obrigadas a seguir essa mesma conduta, cogito profundamente vender meus aparelhos celulares e comprar um básico sem internet. Quer me espionar? Tenta entender minha voz no telefone rs
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gurx

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Mensagem não lida Qua Fev 24, 2016 11:15 pm

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

costacafj escreveu:Vou ser muito sincero: caso isso realmente aconteça (Apple ser obrigada a abrir as pernas para o FBI), caso gere o precedente que vai gerar e outras empresas forem obrigadas a seguir essa mesma conduta, cogito profundamente vender meus aparelhos celulares e comprar um básico sem internet. Quer me espionar? Tenta entender minha voz no telefone rs


Eu ia questionar exatamente isso. Como ficariam os smartphones vendidos fora da jurisdição dos EUA? Vão ter esse backdoor também? Vão dar abertura para a CIA ou a NSA (porque o FBI só pode agir dentro do território americano) espionem a qualquer um, em qualquer lugar do mundo?
E nos países que tenham leis que vedem esse tipo de comportamento?

Em teoria um backdoor nos moldes que o FBI deseja só funcionaria mediante acesso físico ao aparelho (para poder usar do bruteforce) mas quem garante?
Como se já não bastassem os diversos meios de espionagem utilizados, muitos com tecnologia man-in-the-middle, como por exemplo o Eschelon...
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dflopes

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Mensagem não lida Qui Fev 25, 2016 8:16 am

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

enquanto nos EUA uma empresa privada luta pela privacidade, aqui no Brasil, o STF passou de tribunal constitucional para tribunal constituinte.
Agora sigilo bancário pode ser "transferido" à receita federal SEM autorização judicial, ou seja, não tem mais sigilo pois qualquer delegado pode pedir seu extrato no seu banco:
Consultor Jurídico: Supremo libera quebra de sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial
>Eu: Nokia 5120 > Motorola 120t > Nokia 6100+Palm Vx > Clie TJ27 > Treo 680 > Motorola V360 > Htc Kaiser Tilt > Treo 750 > HP iPaq 910c > HTC Tytn II > SE G700 Symbian UIQ > Palm Tx > Samsung Innov8 > Moto Rokr W5 > Nokia N810 > Htc Touch Dual > SE C910 > Tablet Viewsonic VPad7 > SE Satio > Palm Pre Plus > Nokia N8 > Samsung Galaxy S3 > Motorola Xoom 2 ME 8.3" 32Gb > Samsung Galaxy S4 Active ===>Samsung Galaxy K Zoom-mSD64Gb+Palm Clie TG 50-Ms2Gb+Galaxy Note 10.1 + Galaxy Tab 3 7"
> Esposa: Ericsson DH668 > Siemens C60 > Motorola V360 > Samsung i321n > >Mp11 > Moto Rokr W5 > Htc Touch Dual > Iphone 3Gs 16Gb > Iphone 4G 16Gb > Iphone 6 16Gb===>Iphone 6d 64Gb + iPad 2 16Gb
> Nós:Desktop doado/AP WIG-240/KS-330 NAS+FTP+Samba/PS3 Slim 160Gb + Notebook Vaio PCG-9201>CCE JCV-C5>HP Pavillion dv4-1130br>Del XPS m1130>Vaio Yb15AB>Macbook Air Win8>EEE 701+Viliv S5+Dell 3560 SSD128Gb HD500Gb+Asus T100 64Gb-mSD64Gb
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rodrigooo

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Mensagem não lida Qui Fev 25, 2016 8:58 am

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

Essa briga do FBI e APPLE vai longe.

Eita Brazil veio mais uma baixa para o cidadão, sigilo bancário.
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BBk

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Mensagem não lida Qui Fev 25, 2016 11:46 am

Re: FBI x Apple: Hackear ou não o iOS?

Primeiro, acho lindo com a Macmagazine faz a Apple parecer uma empresa que preza pelos clientes, o que é uma MENTIRA: ela só não quer abrir mão de ELA controlar os produtos dela, nem o governo & muito menos os clientes.

Segundo: PALHAÇADA da Apple não desbloquear o telefone. Pode chorar, pode reclamar, pode espernear à vontade... na hora em que o juiz bate o martelo, vai obedecer com o rabinho entre as pernas e ponto.

Terceiro: a estória de criar backdoors dentro do sistema operacional é que está errada. Ponto. Agora...

Desbloquear os dados do telefone? Não tem NADA de errado, porque não é algo sendo solicitado levianamente; e sim, sob processo policial.

A verdade é que a Apple está fazendo um estardalhaço F*DIDO sobre um assunto em que não tem o que fazer, e todo mundo que a apoia ali é exatamente quem tem interesse direto na estória (Google, Facebook, Twitter, Snowden - que devia é ficar de bico fechado atualmente)...

SE esta empresa de M# simplesmente pegasse o aparelho, desbloqueasse os dados & os entregasse ao FBI, pronto... tudo resolvido.

Só que aí, decidiram fazer showzinho & tentar "causar" como vítima na mídia... óbvio que não vai dar certo...


Abraços... :cool:
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